Isso pode lhes interessar:
Revista USP
Livro Comunicação, Tecnologia e Cultura de Rede
Mídia social e comunicação
Biblioteca Manoel Castells
Remix Theory
Revista FAMECOS
Livro Olhares da Rede
Cibercultura e educação
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Teorias da Aprendizagem para a Era Digital
Essa apresentação de slides do professor britânico Steve Wheeler complementa muito bem a postagem anterior. Vejam também a troca de ideias nos comentários da página. Vamos conhecer e debater!
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Teorias da Aprendizagem
Link disponilizado por Pierre Lévy, oferece um bom, mas superficial, panorama das teorias da aprendizagem. Em qual(is) quadrante(s) se localizaria o paradigma da Cibercultura nesse mapa? Clique aqui para acessar.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Texto produzido pelo aluno ouvinte Paulo Roberto Melo de Castro Nogueira ao cursar a disciplina em 2008
A
TÉCNICA E O DESAFIO DO SÉCULO
JACQUES
ELLUL
RESENHA
CRÍTICA
A obra “A Técnica e o Desafio do Século” trata sobre as
técnicas que se dirigem diretamente ao homem e que se constituíam
para muitos, na época em que o autor escreveu, 1954, no objeto das
grandes descobertas, das grandes esperanças.
Para o autor, filósofo, sociólogo, teólogo e anarquista cristão,
Jacques Ellul, nascido em Bordeaux, na França, em 6 de janeiro de
1912 e falecido em 19 de maio de 1994, pode-se
resumir dizendo que a técnica comporta sua própria ideologia, e que
toda realização técnica engendra suas justificações ideológicas.
Acredita que por meio de uma modificação psicológica, pode-se,
pois, ao mesmo tempo, tirar do homem um maximum e conseguir que
suporte alegremente os inconvenientes do mundo - primeiro objetivo
das técnicas psicológicas. Trata-se de obter um rendimento. É a
lei técnica e este rendimento só pode ser obtido pela mobilização
total do homem, corpo e alma, o que supõe uma mobilização de suas
forças psíquicas.
A técnica já penetrou profundamente no homem. O homem é feito para
seis quilômetros à hora e faz mil. O autor observa adiante que a
máquina ao mesmo tempo enriquece o homem e o modifica. Os sentidos e
os órgãos da técnica multiplicaram os sentidos e os órgãos do
homem. O estudo feito por Ellul analisa que a técnica modificou
também o tempo dos homens. O tempo, que era medido pelas
necessidades e acontecimentos, torna-se abstrato e separado dos
ritmos da vida e da natureza, passa a ser dividido em horas, minutos
e segundos. A massificação da sociedade provoca um clima de
ansiedade e de insegurança, característico da época e das neuroses
vividas. Porém, a proposta de humanização das técnicas passou a
levar o homem em conta para que o mesmo não seja esmagado pela
técnica.
Os experimentadores encontraram um campo de ação particularmente
notável para a experimentação técnica: o exército. No exército
os laços sociais que se formam são originais, a coletividade a
estudar pode ser apreendida desde o começo e é cômodo para
estudar, para acompanhar o dia a dia. Ao mesmo tempo, as experiências
feitas servem a um duplo fim: de início, influenciam-se diretamente
os homens que estão no exército e estes transportam para a vida
civil a marca que receberam.
Procura-se também, naquele momento, desenvolver uma nova pedagogia,
uma série de técnicas, chamadas técnicas da escola nova. Um dos
fatores profundos dessa educação será, a melhor adaptação
possível à sociedade, apesar de todas as declarações possíveis
não é a criança em si mesma, e para ela mesma que é formada: é a
criança na sociedade e para a sociedade. Não
se trata de uma preparação para uma sociedade ideal, mas para a
sociedade tal como existe.
A técnica do trabalho é percebida também nos modelos Taylorista e
Fordiano, que só levam em conta a necessidade da produção e o uso
máximo da máquina, com toda a escravidão que isso comporta,
trabalho em série ou divisão indefinida do trabalho. A orientação
continua sendo a submissão do homem ao seu trabalho. Pode-se
tornar essa submissão mais fácil, mais agradável: mas são a
máquina e a produtividade que comandam.
Um dos grandes destaques feitos pelo autor foi à técnica da
Propaganda. A técnica torna-se científica com a revolução russa
de 1917 e em seguida com o hitlerismo. Pela ação da propaganda
ocorre um verdadeiro fenômeno de transferência psicanalítica. Logo
após destaca a técnica da diversão, com ênfase ao cinema. A
condição criada pela técnica supõe essa evasão especial que a
técnica lhe oferece. Cita também o rádio, que protege o homem
contra o silêncio, o mistério...o distrai. Paulatinamente o estudo
avança até chegar à análise dos “ecos”, das conseqüências
da dominação por essas técnicas. Percebe-se, em vários pontos do
texto, o discurso ambivalente do processo tecnológico, alguns prós
e muitos contras.
A angústia de Ellul apresenta-se
claramente no trecho em que ele fala da dissociação do homem pelas
técnicas. Os gestos e atos se tornam tão automatizados que não são
mais percebidos pelos próprios atores.
Heidegger nos ajuda a refletir sobre o que o autor coloca em sua
obra, caracterizando nosso tempo pelo projeto que o movimenta e de
acordo com o qual “tudo que acessível à experimentação e por
ela controlável deve ser submetido ao cálculo” (Heidegger, 1984:
p.87). Para ele, verifica-se no final do século passado o
acionamento de um projeto de mundo cuja caracterização fundamental
é a criação e recriação de processos em termos passíveis de
comando, através da produção, cálculo, transmissão e recepção
de informações. A percepção de
que a condução dos processos sociais poderia ser feita por meio da
persuasão publicitária ou campanhas propagandísticas representa um
intervalo fraco em um projeto mais profundo e ambicioso, cujo sentido
é controla-los pela modelagem material de um novo tipo de ser
humano, como deixam claro aliás os escritos de Norbert Wiener
(Breton, 1995).
Assim sendo, a manipulação dos indivíduos, descrita por Ellul já
não é tão fácil de acontecer.
Conforme observa Heidegger, o pensamento cibernético que está em
vias de se impor em nossa época é a culminação do cálculo como
modo de ser do homem e é correlato “ a idéia de que a liberdade
do homem pode ser determinada como algo planificável, isto é,
controlável. Durante certo tempo Heidegger pensou que o computador
possuía um sentido puramente técnico; ou seja, sem conteúdo
hermenêutico, mas logo chegou à conclusão de que o cálculo que
nele se efetiva agencia um sentido, o da conquista
planetária, incluindo a do próprio ser humano, por mais que
o mesmo, nesse âmbito, sobreviva latente um potencial criativo, “que
é bem outro do que aquele do cálculo que hoje em dia, por toda a
parte, mantém tenso o pensamento”.
Para Heidegger a sociedade tecnológica assume contornos em que
apenas o cálculo entre meios e
fins “parece conceder ao homem a possibilidade de habitar o
mundo técnico (maquinístico) que se impõe sempre de modo mais
decisivo”.
Concluindo, podemos nos perguntar se as técnicas, principalmente
hoje as de informação e comunicação, cada vez mais rápidas,
curtas e urgentes, não se associam à emergência
de um pensamento cada vez mais indiferente à consistência, presença
e observância consciente e refletida de princípios de construção,
que regiam a figura do objeto em nossa cultura. O mundo parece ser
vivido como um conjunto de sensações fluídas e em trânsito, no
qual toda a presença objetiva tende a se dissolver no elemento
líquido da imagem e do movimento.
Ninguém de são juízo endossará por completo teoricamente as
palavras de Ellul, contudo conviria que não fechemos os olhos e que
possamos ver com clareza e atitude crítica esses acontecimentos de
natureza epocal, com interesse na liberdade e independência
intelectual.
Jacques Ellul por Regina Santos Young
Texto produzido pela então doutoranda Regina Santos Young ao cursar a disciplina em 2008
Livro: A técnica e o desafio do século Autor: Jacques Ellul Resenha: Capítulo V - As técnicas do homem

No texto “As técnicas do Homem” Jacques Ellul discute como as técnicas modificaram a vida do ser humano, abrangendo não somente a dimensão de sua vida produtiva, mas todas as outras dimensões na sociedade moderna européia. O autor radicaliza essa influencia colocando o homem como objeto da técnica. É importante destacar o contexto histórico vivido pelo autor, num período em que as grandes guerras mundiais trouxeram reflexões profundas sobre a dominação, o poderio bélico e as mazelas do pós-guerra.
Livro: A técnica e o desafio do século Autor: Jacques Ellul Resenha: Capítulo V - As técnicas do homem
No texto “As técnicas do Homem” Jacques Ellul discute como as técnicas modificaram a vida do ser humano, abrangendo não somente a dimensão de sua vida produtiva, mas todas as outras dimensões na sociedade moderna européia. O autor radicaliza essa influencia colocando o homem como objeto da técnica. É importante destacar o contexto histórico vivido pelo autor, num período em que as grandes guerras mundiais trouxeram reflexões profundas sobre a dominação, o poderio bélico e as mazelas do pós-guerra.
Na sociedade moderna
a vida humana foi fortemente modificada por uma nova forma de
organização baseada numa concepção da técnica enquanto respostas
para os problemas sociais. A técnica traria ao homem a sua
libertação racionalizando e especializando as atividades básicas,
como por exemplo, o trabalho. No entanto, o trabalho nas fábricas
racionalizados de forma extrema pelo Taylorismo, é um dos exemplos
clássicos de como a técnica pode trazer malefícios para ser
humano. Ellul chama atenção para as técnicas na área da
psicologia que tinha o intuito de atingir a moral dos sujeitos para
que estes pudessem suportar as terríveis condições de vida
trazidas pela exploração de seu trabalho tirando-lhe o máximo
possível.
O contexto social
mais amplo é também modificado pela técnica quando as máquinas
passam a entrar na casa das pessoas modificando os hábitos e
costumes. Através dos meios de transporte permitiu o contato com
diferentes países e a conquista de novos espaços a tal ponto que
não existe mais lugares solitários. Outra máquina importante nesse
contexto foi o relógio que permitiu a racionalização e controle do
tempo na modernidade trazendo mudanças ainda maiores para as
atividades cotidianas.
As mudanças
advindas com a técnica foram tão profundas que criaram um novo
ambiente social exigindo do homem um esforço para adaptação nesse
novo contexto. Quando não ocorre essa adaptação dentro da
normalidade desenvolvem-se as neuroses e doenças psíquicas. Isso
ocorre porque o novo ambiente consistia num ambiente desumano de
exploração física e psíquica dos sujeitos.
Ellul considera que
a massificação é um fenômeno que marcou a sociedade através de
seus instrumentos e meios de comunicação de massa que trouxe uma
característica de coletividade, trazendo como conseqüência o
controle e a massificação das informações.
Diante dessas
questões problemáticas e complexas seria preciso o desenvolvimento
de estudos que pudessem da conta dessa realidade em favor da
libertação do homem frente ao domínio da técnica. Assim
autores teorizaram sobre as “técnicas do homem” que trariam as
respostas para essas inquietações, propondo que as mazelas trazidas
pelas técnicas deveriam ser respondidas pelas próprias técnicas,
mas as técnicas “do homem”. Segundo o autor essa possibilidade é
muito reduzida, pois é impossível falar de humanismo
técnico.
Nesse sentido todas
as ações humanas e sociais se desenvolvem baseados em procedimentos
técnicos, principalmente na utilização de métodos métricos que
podem racionalizar e tornar os processos mais eficazes comprovados
cientificamente. O autor destaca esses processos técnicos
desenvolvidos para atuar nos seguintes âmbitos sociais que pretendem
adaptar o homem ao seu meio social: escola, trabalho, orientação
profissional, propaganda, no divertimento, no esporte, na medicina.
Apesar
da visão chocante e determinista que o autor apresenta não podemos
deixar de observar que muitas de suas argumentações e críticas são
coerentes e trazem contribuições para a compreensão de muitos
fenômenos sociais influenciadas pela racionalidade técnica até os
dias atuais. Podemos destacar:
-
O excesso de especialização das áreas do conhecimento que são
fortemente fragmentadas pela racionalização.
-
Os problemas e neuroses que até os dias atuais fazem parte de uma
sociedade em constantes transformações técnicas e tecnológicas.
-
A influência dos meios de comunicação de massa para formação de
opinião e convencimento e sugestão, principalmente na utilização
de técnicas na área da psicologia.
-
Os métodos desenvolvidos nos processos educativos formais que trazem
muitos aspectos herdados de uma racionalidade técnica e de
socialização.
Uma das críticas
que podemos desenvolver frente à argumentação do autor consiste na
radicalização
da idéia que a técnica domina o homem sem que este possa se
libertar e pensar criticamente, mas somente reproduzir o que está
posto sem possibilidade de superação.
Enquanto educadora pensar dessa forma não nos permite uma prática
educativa crítica e libertadora. Apesar de ser um processo difícil
acredito que não é impossível.
Outra questão refere-se à concepção de técnica apresentada pelo autor, temos a impressão de ser algo com uma vida própria, algo monstruoso que não foi produzido e criado pelo homem. Afinal, a técnica acompanha toda a vida humana desde as comunidades mais primitivas ajudando-o a compreender a natureza e sua relação com os outros homens. É bem verdade que sempre existe o risco de utilização da técnica para dominação e degradação da natureza como verificamos em nossos dias, mas reduzi-la a isso não nos permite ver iniciativas que ajudam a manter a vida humana.
Por fim, as idéias trazidas pelo autor nos fazem refletir sobre o processo de mudanças advindas com os artefatos tecnológicos de nosso tempo que rapidamente estão evoluindo e que trazem desafios jamais imaginados, principalmente com as relações sociais desenvolvidas no ciberespaço.
Outra questão refere-se à concepção de técnica apresentada pelo autor, temos a impressão de ser algo com uma vida própria, algo monstruoso que não foi produzido e criado pelo homem. Afinal, a técnica acompanha toda a vida humana desde as comunidades mais primitivas ajudando-o a compreender a natureza e sua relação com os outros homens. É bem verdade que sempre existe o risco de utilização da técnica para dominação e degradação da natureza como verificamos em nossos dias, mas reduzi-la a isso não nos permite ver iniciativas que ajudam a manter a vida humana.
Por fim, as idéias trazidas pelo autor nos fazem refletir sobre o processo de mudanças advindas com os artefatos tecnológicos de nosso tempo que rapidamente estão evoluindo e que trazem desafios jamais imaginados, principalmente com as relações sociais desenvolvidas no ciberespaço.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Slides sobre o artigo de Lucia Santaella
Visualizem os slides clicando no link e usem a ferramenta de comentários deste blog para trocarem opiniões sobre as ideias da autora.
Clique aqui
Assinar:
Comentários (Atom)