segunda-feira, 20 de maio de 2013

Teorias da Aprendizagem



Link disponilizado por Pierre Lévy, oferece um bom, mas superficial, panorama das teorias da aprendizagem. Em qual(is) quadrante(s) se localizaria o paradigma da Cibercultura nesse mapa? Clique aqui para acessar.

Slides Feenberg



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quarta-feira, 15 de maio de 2013


Texto produzido pelo aluno ouvinte Paulo Roberto Melo de Castro Nogueira ao cursar a disciplina em 2008

A TÉCNICA E O DESAFIO DO SÉCULO
JACQUES ELLUL

RESENHA CRÍTICA


A obra “A Técnica e o Desafio do Século” trata sobre as técnicas que se dirigem diretamente ao homem e que se constituíam para muitos, na época em que o autor escreveu, 1954, no objeto das grandes descobertas, das grandes esperanças.
Para o autor, filósofo, sociólogo, teólogo e anarquista cristão, Jacques Ellul, nascido em Bordeaux, na França, em 6 de janeiro de 1912 e falecido em 19 de maio de 1994, pode-se resumir dizendo que a técnica comporta sua própria ideologia, e que toda realização técnica engendra suas justificações ideológicas. Acredita que por meio de uma modificação psicológica, pode-se, pois, ao mesmo tempo, tirar do homem um maximum e conseguir que suporte alegremente os inconvenientes do mundo - primeiro objetivo das técnicas psicológicas. Trata-se de obter um rendimento. É a lei técnica e este rendimento só pode ser obtido pela mobilização total do homem, corpo e alma, o que supõe uma mobilização de suas forças psíquicas.
A técnica já penetrou profundamente no homem. O homem é feito para seis quilômetros à hora e faz mil. O autor observa adiante que a máquina ao mesmo tempo enriquece o homem e o modifica. Os sentidos e os órgãos da técnica multiplicaram os sentidos e os órgãos do homem. O estudo feito por Ellul analisa que a técnica modificou também o tempo dos homens. O tempo, que era medido pelas necessidades e acontecimentos, torna-se abstrato e separado dos ritmos da vida e da natureza, passa a ser dividido em horas, minutos e segundos. A massificação da sociedade provoca um clima de ansiedade e de insegurança, característico da época e das neuroses vividas. Porém, a proposta de humanização das técnicas passou a levar o homem em conta para que o mesmo não seja esmagado pela técnica.
Os experimentadores encontraram um campo de ação particularmente notável para a experimentação técnica: o exército. No exército os laços sociais que se formam são originais, a coletividade a estudar pode ser apreendida desde o começo e é cômodo para estudar, para acompanhar o dia a dia. Ao mesmo tempo, as experiências feitas servem a um duplo fim: de início, influenciam-se diretamente os homens que estão no exército e estes transportam para a vida civil a marca que receberam.
Procura-se também, naquele momento, desenvolver uma nova pedagogia, uma série de técnicas, chamadas técnicas da escola nova. Um dos fatores profundos dessa educação será, a melhor adaptação possível à sociedade, apesar de todas as declarações possíveis não é a criança em si mesma, e para ela mesma que é formada: é a criança na sociedade e para a sociedade. Não se trata de uma preparação para uma sociedade ideal, mas para a sociedade tal como existe.
A técnica do trabalho é percebida também nos modelos Taylorista e Fordiano, que só levam em conta a necessidade da produção e o uso máximo da máquina, com toda a escravidão que isso comporta, trabalho em série ou divisão indefinida do trabalho. A orientação continua sendo a submissão do homem ao seu trabalho. Pode-se tornar essa submissão mais fácil, mais agradável: mas são a máquina e a produtividade que comandam.
Um dos grandes destaques feitos pelo autor foi à técnica da Propaganda. A técnica torna-se científica com a revolução russa de 1917 e em seguida com o hitlerismo. Pela ação da propaganda ocorre um verdadeiro fenômeno de transferência psicanalítica. Logo após destaca a técnica da diversão, com ênfase ao cinema. A condição criada pela técnica supõe essa evasão especial que a técnica lhe oferece. Cita também o rádio, que protege o homem contra o silêncio, o mistério...o distrai. Paulatinamente o estudo avança até chegar à análise dos “ecos”, das conseqüências da dominação por essas técnicas. Percebe-se, em vários pontos do texto, o discurso ambivalente do processo tecnológico, alguns prós e muitos contras.
A angústia de Ellul apresenta-se claramente no trecho em que ele fala da dissociação do homem pelas técnicas. Os gestos e atos se tornam tão automatizados que não são mais percebidos pelos próprios atores.
Heidegger nos ajuda a refletir sobre o que o autor coloca em sua obra, caracterizando nosso tempo pelo projeto que o movimenta e de acordo com o qual “tudo que acessível à experimentação e por ela controlável deve ser submetido ao cálculo” (Heidegger, 1984: p.87). Para ele, verifica-se no final do século passado o acionamento de um projeto de mundo cuja caracterização fundamental é a criação e recriação de processos em termos passíveis de comando, através da produção, cálculo, transmissão e recepção de informações. A percepção de que a condução dos processos sociais poderia ser feita por meio da persuasão publicitária ou campanhas propagandísticas representa um intervalo fraco em um projeto mais profundo e ambicioso, cujo sentido é controla-los pela modelagem material de um novo tipo de ser humano, como deixam claro aliás os escritos de Norbert Wiener (Breton, 1995).
Assim sendo, a manipulação dos indivíduos, descrita por Ellul já não é tão fácil de acontecer.
Conforme observa Heidegger, o pensamento cibernético que está em vias de se impor em nossa época é a culminação do cálculo como modo de ser do homem e é correlato “ a idéia de que a liberdade do homem pode ser determinada como algo planificável, isto é, controlável. Durante certo tempo Heidegger pensou que o computador possuía um sentido puramente técnico; ou seja, sem conteúdo hermenêutico, mas logo chegou à conclusão de que o cálculo que nele se efetiva agencia um sentido, o da conquista planetária, incluindo a do próprio ser humano, por mais que o mesmo, nesse âmbito, sobreviva latente um potencial criativo, “que é bem outro do que aquele do cálculo que hoje em dia, por toda a parte, mantém tenso o pensamento”.
Para Heidegger a sociedade tecnológica assume contornos em que apenas o cálculo entre meios e fins “parece conceder ao homem a possibilidade de habitar o mundo técnico (maquinístico) que se impõe sempre de modo mais decisivo”.
Concluindo, podemos nos perguntar se as técnicas, principalmente hoje as de informação e comunicação, cada vez mais rápidas, curtas e urgentes, não se associam à emergência de um pensamento cada vez mais indiferente à consistência, presença e observância consciente e refletida de princípios de construção, que regiam a figura do objeto em nossa cultura. O mundo parece ser vivido como um conjunto de sensações fluídas e em trânsito, no qual toda a presença objetiva tende a se dissolver no elemento líquido da imagem e do movimento.
Ninguém de são juízo endossará por completo teoricamente as palavras de Ellul, contudo conviria que não fechemos os olhos e que possamos ver com clareza e atitude crítica esses acontecimentos de natureza epocal, com interesse na liberdade e independência intelectual.  

Jacques Ellul por Regina Santos Young

Texto produzido pela então doutoranda Regina Santos Young ao cursar a disciplina em 2008


Livro: A técnica e o desafio do século 
Autor: Jacques Ellul Resenha: Capítulo V - As técnicas do homem


No texto “As técnicas do Homem” Jacques Ellul discute como as técnicas modificaram a vida do ser humano, abrangendo não somente a dimensão de sua vida produtiva, mas todas as outras dimensões na sociedade moderna européia. O autor radicaliza essa influencia colocando o homem como objeto da técnica. É importante destacar o contexto histórico vivido pelo autor, num período em que as grandes guerras mundiais trouxeram reflexões profundas sobre a dominação, o poderio bélico e as mazelas do pós-guerra.
Na sociedade moderna a vida humana foi fortemente modificada por uma nova forma de organização baseada numa concepção da técnica enquanto respostas para os problemas sociais. A técnica traria ao homem a sua libertação racionalizando e especializando as atividades básicas, como por exemplo, o trabalho. No entanto, o trabalho nas fábricas racionalizados de forma extrema pelo Taylorismo, é um dos exemplos clássicos de como a técnica pode trazer malefícios para ser humano. Ellul chama atenção para as técnicas na área da psicologia que tinha o intuito de atingir a moral dos sujeitos para que estes pudessem suportar as terríveis condições de vida trazidas pela exploração de seu trabalho tirando-lhe o máximo possível.
O contexto social mais amplo é também modificado pela técnica quando as máquinas passam a entrar na casa das pessoas modificando os hábitos e costumes. Através dos meios de transporte permitiu o contato com diferentes países e a conquista de novos espaços a tal ponto que não existe mais lugares solitários. Outra máquina importante nesse contexto foi o relógio que permitiu a racionalização e controle do tempo na modernidade trazendo mudanças ainda maiores para as atividades cotidianas.
As mudanças advindas com a técnica foram tão profundas que criaram um novo ambiente social exigindo do homem um esforço para adaptação nesse novo contexto. Quando não ocorre essa adaptação dentro da normalidade desenvolvem-se as neuroses e doenças psíquicas. Isso ocorre porque o novo ambiente consistia num ambiente desumano de exploração física e psíquica dos sujeitos.
Ellul considera que a massificação é um fenômeno que marcou a sociedade através de seus instrumentos e meios de comunicação de massa que trouxe uma característica de coletividade, trazendo como conseqüência o controle e a massificação das informações.
Diante dessas questões problemáticas e complexas seria preciso o desenvolvimento de estudos que pudessem da conta dessa realidade em favor da libertação do homem frente ao domínio da técnica. Assim autores teorizaram sobre as “técnicas do homem” que trariam as respostas para essas inquietações, propondo que as mazelas trazidas pelas técnicas deveriam ser respondidas pelas próprias técnicas, mas as técnicas “do homem”. Segundo o autor essa possibilidade é muito reduzida, pois é impossível falar de humanismo técnico.
Nesse sentido todas as ações humanas e sociais se desenvolvem baseados em procedimentos técnicos, principalmente na utilização de métodos métricos que podem racionalizar e tornar os processos mais eficazes comprovados cientificamente. O autor destaca esses processos técnicos desenvolvidos para atuar nos seguintes âmbitos sociais que pretendem adaptar o homem ao seu meio social: escola, trabalho, orientação profissional, propaganda, no divertimento, no esporte, na medicina.
Apesar da visão chocante e determinista que o autor apresenta não podemos deixar de observar que muitas de suas argumentações e críticas são coerentes e trazem contribuições para a compreensão de muitos fenômenos sociais influenciadas pela racionalidade técnica até os dias atuais. Podemos destacar:
- O excesso de especialização das áreas do conhecimento que são fortemente fragmentadas pela racionalização.
- Os problemas e neuroses que até os dias atuais fazem parte de uma sociedade em constantes transformações técnicas e tecnológicas.
- A influência dos meios de comunicação de massa para formação de opinião e convencimento e sugestão, principalmente na utilização de técnicas na área da psicologia.
- Os métodos desenvolvidos nos processos educativos formais que trazem muitos aspectos herdados de uma racionalidade técnica e de socialização.
Uma das críticas que podemos desenvolver frente à argumentação do autor consiste na radicalização da idéia que a técnica domina o homem sem que este possa se libertar e pensar criticamente, mas somente reproduzir o que está posto sem possibilidade de superação. Enquanto educadora pensar dessa forma não nos permite uma prática educativa crítica e libertadora. Apesar de ser um processo difícil acredito que não é impossível. 
Outra questão refere-se à concepção de técnica apresentada pelo autor, temos a impressão de ser algo com uma vida própria, algo monstruoso que não foi produzido e criado pelo homem. Afinal, a técnica acompanha toda a vida humana desde as comunidades mais primitivas ajudando-o a compreender a natureza e sua relação com os outros homens. É bem verdade que sempre existe o risco de utilização da técnica para dominação e degradação da natureza como verificamos em nossos dias, mas reduzi-la a isso não nos permite ver iniciativas que ajudam a manter a vida humana.
Por fim, as idéias trazidas pelo autor nos fazem refletir sobre o processo de mudanças advindas com os artefatos tecnológicos de nosso tempo que rapidamente estão evoluindo e que trazem desafios jamais imaginados, principalmente com as relações sociais desenvolvidas no ciberespaço.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Slides sobre o artigo de Lucia Santaella


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